Ontem estive a dormir quase todo o dia. Minto... Fiz alguns intervalos, para comer e tomar banho, de resto, o meu corpo parecia um bocado imenso, inerte, desmaiado por de entre os lençóis, a confundir realidade e sonhos, com a visão distorcida, e o pensamento vago, os olhos entreabertos, indecisos entre a clausura total ou a permissividade de recepção de imagens. Reposição de horas de sono, de energia, de sonhos até. Era ver-me a rebolar, para a esquerda e para a direita, a puxar o edredon para cima, a tapar a cara até ao nariz, quiçá a ressonar (não faço ideia, que eu durmo como quem desmaia, não ouço nadinha!). A minha mãe ainda me fez umas visitas aos aposentos, em tentativas frustradas de me tentar fazer reagir, mas foi um insucesso digno de piedade... Nada me fez reagir. Não obstante, ter vários planos para o meu Domingo à tarde, que incluíam trabalhar, ler, assistir a uma ou duas séries, ao Ídolos, bordar e arrumar o quarto... Mas, não consegui! Vi televisão intermitentemente, comi às prestações e dormi! Credo, como dormi!!! Cheira-me que estou a treinar para o Domingo em que se comemora o dia dos namorados, o quarto consecutivo em que não vou ter companhia para um programa pegajosamente romântico, como deve de ser. Vou passar directamente de 13 para 15, caso contrário arrisco-me a um domingo recheado a bombons e isso ia estragar todo um trabalho de meses a fio! Vicissitudes naturais de consecutivas opções de vida conducentes ao vazio sentimental actual. Nada de novo portanto... Desta vez, sem dramas, sem vontades, sem ilusões e sem personagens, ficcionadas ou reais, sem príncipes ou sapos, nada, vazio. Venha o Carnaval!

Tenho uma relação de completa dependência relativamente ao meu termo-ventilador!

Pronto... Assumi! Peço desculpas ao ar condicionado, à lareira, aos aquecedores a óleo e afins... Mas, eu gosto mesmo, mesmo, mesmo, é do termo-ventilador! Não consigo resistir-lhe... Aquele ar quentinho a bombar a toda a velocidade, a aquecer-me o corpinho todo em minutos!!! Mais forte do que a minha dependência tabágica, é a minha dependência relativamente ao termo-ventilador no Inverno! Não me obriguem a tratamento para um afastamento compulsivo que eu, juro, vou sucumbir ao frio em três tempos! Não é racional nem susceptível de apreensão facilitada aos demais. Isto lá para Abril passa... Mas, em Outubro regressa em força. É como a vida... Uma dependência cíclica!
As mais das vezes, caminhar orgulhosamente só neste deserto, carregando o fardo da vida vivida, às vezes, que não são as mais, ou as menos, é intermitente, vai e vem, a sensação, como o vento, e a areia a bater na face, uma ou outra vez... dói. Custa por vezes, levantar o queixo a soerguer o olhar para o céu, sem olhar para o chão pisado, para não se ter noção do que ainda falta calcorrear. O calor é tórrido, a noite é longa demais, os fantasmas emergem da areia fininha, ganham forma e atormentam com gritos de dor, da alma, profundos, a profanar a alegria do espírito, a aniquilar a esperança do dia solarengo. Todas as manhãs um novo esforço... O dia, conquista o ser, é inegável o seu encanto, incontornáveis os argumentos da luminosidade na pele esbranquiçada. Nem sussurros nem barulhos, silêncio apenas no meu deserto... Fertilizada a imaginação pela ausência dos ruídos comuns, trancada em espaços inatingíveis, vão-se desenhando acolá, sempre distante, inalcansável, oásis... Piscinas de águas límpidas, naturais, cenários fantásticos, divinais, inconcretos e incongruentes, idiossincrasias da mente! Faz medo o hábito a que conduz a escuridão à intolerância da luz solar. Faz vazio a falta da crença no estigmatizado, vulgarmente aceite, padronizado. O estômago a manifestar-se em revoltosas convulsões, de ardor o esófago a rugir insatisfações. Mais um dia, neste mês, do ano que há-de passar... O tempo a crivar-se na pele, a enrugar de vida... Vazia. A noite chegou... Os fantasmas também! Olha para eles... A estenderem as mãos quase quase, a tocar, a puxar, a desfazer... Aniquilando forças. O novo dia, a amanhecer, há-de vir...
"À espreita está um grande amor, mas guarda segredo. Vazio tens o teu coração na ponta do medo..."

Ana Moura, "Os Búzios"
Todos os dias um fulaninho passa à frente do escritório a curtir largo de mota... Ouço-o muito antes de o ver, quando corro à janela para o ver passar, vem ele, com a mota toda de lado a contornar a rotunda! Grrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!! Cabala!!! Tudo unido contra mim... Só lhe falta a placa nas costas a dizer: É só para te roeres de inveja!!!

Ps.: Voltei a usar lentes! Por isso hoje, nem a inveja do gajo da mota me entristece!!! (Lá vem ele outra vez... Se calhar entristece... Mas, só um bocadinho! É que este gajo hoje, não pára de desfilar aqui à frente!)
Mais do que palavras, atenções; mais do que transacções, entregas mútuas, partilhas sentidas; mais do que experiências, vidas; mais do que passos singelos em sentidos convergentes, caminhadas entrelaçadas; mais do que sorrisos, gargalhadas; mais do que balanços, valsas e tangos; mais do que noites, muito mais, dias, com ou sem sol, magias; mais do que eu e tu, nós... Silêncio ensurdecedor, vazio agonizante de tempos mortos, de navegações destituídas de Norte... Conchas confortáveis, fechadas ao mundo, em redomas de vidro de protecção, ausência do proferir os vocábulos espontâneos que se acumulam dispostos em prateleiras, subterfúgios de vontades sufocadas, pé ante pé, a pisar ovos que podem partir, evitando estragos que não se almeja repetir, sem sacrifícios, sem filosofias, inexistentes os dogmas empíricos conducentes a resultados traçados. Só reticências numa vida em que são raros os pontos finais, pintada a exclamações pontuais e interrogações retóricas, na senda de respostas insatisfatoriamente conhecidas! Facilidade da futilidade de cenários perfeitos, isolados em agendas escritas, rasuradas, preenchidas, evasões simplistas, irresponsavelmente desenhadas em lugares-comuns do conforto descomprometido da juventude. Pulsações maquinais sustentadas em reacções racionais, na permissividade lasciva da rotina pós-moderna. "E os dias sempre os mesmos a correr..."
Quisera eu, o talento que não tenho, de prender-te a mim, e de não deixar fugir-me livremente, na permissividade das horas mortas... Ó tempo fugaz!



Objecto pelo qual uma mulher se pode apaixonar com relativa facilidade, de fácil manuseamento, não sujeito a desgostos amorosos, nem culmina em depressões, pode ser substituído e partilhado com as amigas!

Só tem um único senão... Pequenino... Vá... Quase irrelevante! O preço... Coisa pouca... Mas são tão lindas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Vejam mais em http://www.jimmychoo.com/Sandals/Zoom-COMING-SOON/invt/101zoomere


Divagando...

Confirma-se a teoria preconizada... Perdem-se crenças como se perdem palavras e inspirações, num vazio do rocambolesco repetido comportamento, facilmente se advinham os vocábulos próximos, as atitudes seguintes, como se pessoas fossem apenas novelos, todos iguais, com cores e texturas diferente, e se soubesse de antemão como desenrolá-lo, desmontando o cenário da banalidade ao toque trucidante de dedos calejados... O corpo deixa-se fluir, salpicado das pingas geladas que contra ele se esbatem, escorregando longitudinalmente, sem música, o corpo a balançar, sem conseguir parar de dançar, sem par, que isto não há quem se encaixe, não há quem se esforce, não há quem mereça a dança... O relógio desconectado, o suspiro pouco aliviado, na pressa das horas presas em tormentos vazios, como se fosse preciso ficar mais um pouco, um pouco mais, na permissividade fútil dos olhos perdidos em devaneios alucinantes. Pesadelos de noites pouco dadas a dormidas, a violência dos sussurros naturais a debaterem-se contra as telhas, assustadoramente interrompem-se pesadelos a meio, e instala-se o pânico, no medo de confirmar de olhos abertos aquilo que a alma já vislumbra na penumbra das sombras esbatidas das pálpebras fechadas.

Da minha janela vejo o rio que sobe e desce, como que a brincar de transbordar a margem e invadir uma cidade que o não merece, como que a castigar do desprezo a que se veta, para chamar a si as atenções devidas, desviadas na vulgaridade do seu diário visionamento, como se precisássemos todos de o sentir na pele, de lhe sentir a força, para lhe prestarmos o devido respeito!

Eu tenho falta dos dias raiados a dourado, em que me deixava conquistar pelo passadiço e me perdia nas horas, em caminhadas solitárias, com sons alheios a roubarem-me os sentidos... Se a chuva lavasse almas, como lava ruas, eu talvez lhe saboreasse o toque, se o frio congelasse almas como congela água, se me corrompesse e me roubasse a impiedade ridícula dos sentimentos exasperados e das ilusões vãs, não havia Verão que me tentasse.

Surpresa boa...

Ontem à noite terminou o Curso de formação de curta duração, em que tive o prazer enorme de participar na qualidade de formadora. Entre muitas gargalhadas, excitação e alguns disparates, consegui dizer às doze pessoas que tinha diante de mim o quão foram importantes nas últimas quatro semanas, bem como que fizeram parte do bolo que me foi oferecido pela vida, como prenda de Natal antecipada! Eu, que sempre achei que não tinha nem jeito nem paciência, acabei por ser super mimada, excessivamente elogiada e brindada, com aquele que considero (porque isto de 20 anos a estudar confere um certa experiência) ter sido o melhor grupo, a todos os níveis, por ser suis generis, e tão coesos como unidade! Fui brindada por eles com uns brincos (giríssimos por sinal...) em forma de "l", e pelos mesmos me foi dito que representavam, não só, as iniciais do curso, mas também, o laço que nos uniu durante 25 horas que aproveitamos muito bem! Comoveram-me profundamente, surpreenderam-me estupendamente, e creio ter sido a que mais beneficiei com esta formação, fui, decerto, quem mais aprendeu!
O agradecimento é, por isso, tornado público, pelas horas de solidão que me roubaram, pela azáfama que conferiram aos meus dias, pelas tardes de feriado e fins de semana totalmente ocupadas, pelos elogios, pelo carinho, pelas risadas, pelas perguntas, pelo interesse, pelos sorrisos, pela aprendizagem mútua, pelas palmas, pela atenção (e eles também perceberam a minha necessidade de focalização de olhares),pelo tempo, pelos cigarros ao frio, pela experiência, por me terem facilitado a vida, desde o primeiro minuto... E, finalmente, pela satisfação e valorização pessoal que me imprimiram... O meu sentido e sincero obrigado! FoI TUDO em BoM! Até o cansaço que possibilitou a ausência de "cismices" quando aterrava no leito, nesta fase da vida minha, que teve um incremento profissional que me salvou das hostes cruéis do desistir perante as evidentes adversidades que já me encaminhavam a um reequacionar do sonho de sempre, nesta altura, foi essencial!
Espero encontrá-los de novo...

Que a vida vos seja muito doce...
Minha querida amiga...
Vão dizer-te muitas coisas, eu incluída, na tentativa de te elevar o ego e a moral que, a esta altura, inevitavelmente, está pela rua da amargura. Tudo o que te penetrar no ouvido vai confluir numa mesma teoria, a da evolução natural, na tentativa que ignores o que sentes, e que te fortaleças com o correr, que será agora, mais lento do que nunca, das horas. Serás puxada do fosso em que te vai apetecer cair, num vale de lágrimas absurdo e inexplicável, vezes sem conta... A verdade porém, é que a dor que sentes agora, ninguém ta pode suster, mão amiga alguma servirá de dique, de quebra, de sustentação... É assim mesmo, o fim de um amor, seja ele grande ou pequeno, longo ou curto, seja apenas uma mera ilusão, ainda que pareça absurdo, é sempre doloroso! Parece que o mundo te vai fugir todo sob os pés, que nada, nunca será igual, e que essa aflição, esse ardor que sentes fisicamente, essa convulsão, esse espasmo trucidante e lancinante, te vai acompanhar eternamente!

"Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe..."

A verdade é que, o tempo tudo cura! Basta que o queiramos e nos deixemos levar... A verdade, é que um dia destes, acordas e esse amor não é a primeira ideia que te surge com a manhã, e vais esquecendo, até ao dia, em que juntas, nos vamos rir de tudo isto, de cada lágrima, como se tivesse sido insignificante, e ficam apenas as boas memórias... O resto dissipar-se-à. Até lá, fica com esta ideia!

Abraço apertadinho! E... Que a vida te seja doce, como mereces!

Dias pior que noites...

Morreu-se-me qualquer coisa cá por dentro... Estamos de luto... Eu e o meu mundo, estamos de negro! Remetidos ao silêncio aconchegante do quentinho do lar! Não quero saber o que se passa lá fora... Nos outros mundos! Não quero ouvir mais nada. Só o silêncio do peso das conclusões nefastas. "Não queiras saber de mim, esta noite não estou cá, quando a tristeza bate, pior do que eu não há. Fico fora de combate, como se chegasse ao fim, fico abaixo do tapete, afundado no serrim... Amanhã, eu sei, já passa... Mas, agora estou assim! Hoje perdi toda a graça... Não queiras saber de mim!"
Depois de tantas teorizações sobre a vida, o trabalho, a amizade, a família, o dia-a-dia em geral, depressões e desilusões, sempre a tentar animar as hostes e levantar a moral, de passar a energia positiva que me resta... Como que despojada da mesma... Fica sempre a questão cá por dentro, à qual não me consigo dar resposta: "Afinal o que é que é mesmo mais importante?!"

Entrada com o pé direito...

Resisti à tentação de me alapar de sofá! Fui despedir-me do ano velho e festejar a chegada do novo ano, no sítio do costume, em ambiente quase familiar, requintado e quente, confortável e aconchegante... Isto do "quem não está In está Out" confirmou-se! Foi uma noite com muita qualidade. Chegada ao fim da noite (ou, devo dizer, início da manhã), concluí que não queria ter estado em outro lugar, que fiz a escolha certa. Muito bom...
Uma pessoa sabe que está a ficar velha quando, pela primeira vez em 27 anos, não tem vontadinha nenhuma de ir para a rambóia e festejar a chegada do novo ano! Só me apetecia enfiar-me no sofá, com a lareira acesa e ver filmes até adormecer (o que, nos dias de hoje, significa até à meia noite!), na loucura, abrir o champanhol e ponto, tudo isto sozinha! Era o que me apetecia...
"Por mais duro que alguém seja, derreterá no fogo do amor. Se não derreter é porque o fogo não é bastante forte"

Ghandi

Nos silêncio dos olhares trocados, olhares, somente olhares, olhares de conhecimento, de enigmas retratados em sobrolhos franzidos, interrogações suspensas, cinismos vadios, esperanças mortas, na ausência de sonhos, falta de projectos e de vidas comuns... Viagens longínquas, prolongadas, trucidantes e vazios os conteúdos trocados. De repente, uma falta de não se sabe bem o quê, que por dentro não corrói... Como se as buscas tivessem terminado, na falta dos esforços que não se concretizam. Nenhum dos braços se move, o corpo quase como morto que flutua ao sabor da corrente, como se não tivesse vontade real de chegar a lado algum, como se destituído de curiosidade, conformado com os desígnios do rumo natural, fluído e sabido, do encontro ao mar, à turbulência das ondas, ao desassossego das marés. A temperatura parece indiferente, as condições adversas, as pedras no meio do leito, às vezes emperram a marcha... Não há grandes frustrações se não se pretende chegar a lado algum. Poucas inquietações sofre o coração pouco palpitado agora, que já se habitou ao correr das águas. Poucas decisões ficam por tomar. Nadar contra a corrente para não se chegar a lado algum concretizará afinal, uma atitude infrutífera e desatinada da realidade, nada conforme a parâmetros lógicos, no cômputo de erros que se acumulam, por vezes, mais difícil é, deixar de nadar contra a corrente, e por outro lado, deixar de boiar, no enlevo do conforto preguiçoso de ser levado pela maré, árdua é a decisão de nadar para a margem, e sair da corrente. As mais das vezes, a tarefa é facilitada por empurrões... A água, essa, vai continuar a fluir, independentemente dos corpos que contra ela se debatam ou por ela se deixem levar... Da margem, à luz da frieza que o tempo confere, as águas parecem calmas, a roupa vai secando, e vão se acumulando forças para uma retirada consistente.

Não consigo enganar ninguém... A criança de três anos, deparada comigo, vestida de Pai Natal, absolutamente tapada por de entre as barbas, o gorro, a almofada a fingir de barriga, sem acessórios, cabelo escondido, e com os olhos meio tapados, primeiro olhou-me, encantada, inspeccionou o saco, recuou, olhou outra vez... E pimbas... Desatou a bater palmas, em alegre chinfrineira, a gritar o meu nome!!!

Continuo a não perceber se me visto repetidamente de Pai Natal para animar as crianças ou os adultos... Fico sempre na dúvida! Não sei quem se diverte mais...


Pai Natal... "Tás cá dentro!!!" E o meu BENFICA também!

BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNNFFFFFFFFFFFFFIIIIIIIIIIIICCCCCCCCCAAAA!

Coisa mai linda!

"... E o escuro revelou que em mim a luz se esconde..."

Wishlist...

Ó Pai Natal, Pai Natal... E uma vitória do Benfica no Domingo?!?! Meio a zero chega... Não?!??! Pronto... É que... Lembrei-me... Assim de repente... Entre as outras coisas (tipo SAÚDE, TRABALHO, amor, Wii, Blackberry curve 8900, z4 coupé, livros muitos, o Matthew MacConaughey embrulhado num laçarote vermelho, sapatos, carteiras, cd's, perfumes e coisas girassssssssssssssssssssssssssss), no meu sapatinho, vermelho, não?!?! Oh................ Anda lá........... Eu quero........
De que adianta ter muito para dizer, ter tudo para resolver, quando se sabe à partida que todo e qualquer esforço é infrutífero, de que tudo será em vão?!
Without words... Speechless... Absorved by a trucidante spasm of pain.

Verdadeiro espírito de Natal:

Ainda não comprei um único presente! Mas, fiz pesquisa, sondagens e inquéritos junto dos meus miúdos para saber quais os presentes que se têm de comprar, e dei os resultados ao mano (claro! Tem de se dividir as tarefas.)...

E... Já fiz a minha lista de presentes! Ainda na senda da campanha: "Vamos fazer uma Marisquinha feliz!" Se pedirem muito, muito, muito, eu exponho aqui a minha lista! Não vá alguém querer ir comprar-me prendinhas e não saber o quê! Não quero que vos falte nadinha...

"Sozinho", Caetano Veloso

"...Porquê você me deixa tão solto, porquê você não cola em mim? Tou me sentindo muito sozinho... Não sou nem quero ser o seu dono, mas um carinho às vezes, cai bem. Porque você me esquece e some? E se eu me interessar por alguém? E se ela de repente me ganha? Quando a gente gosta é claro que a gente cuida..."


Ensina-me.
Resgatada do fundo do poço, acarinhada, acolhida, embalada até, como se desejada, como se saudada e pensada intima e solenemente, puxada com ambas as mãos, salva do desterro, a deixar-me elevar pelo sentido querido das palavras que quis ouvir, na confirmação dos cenários que vislumbrei e em tempos considerei serem apenas fruto da imaginação fértil e sonhada com que fui brindada... De armadura vestida, a resistir à tentação de saltar fora do barco em constante agitação, a lutar com força ancestral, a resistir à razão que conheço e que me guia, toda eu sentimentos, toda eu entregue às emoções mundanas e incontroláveis do abstracto, nas ondas sonoras das palavras deleitosas, embalada em sons que quis ouvir. Como se não fosse evidente a vitória avassaladora da racionalidade, como se a minha verdade tivesse algum significado, ao invés de esgravatar a subir o poço para o qual me atirei, deixei que outras fossem as mãos que me erguessem, me segurassem, mãos com as quais não posso contar, que me largam no mínimo desconforto. Imprudência maior a de contar com alguém que não nós mesmos... A de colocar a vida própria nas mãos de outrem, ignorando a característica maior humana, do egoísmo. Inocência pura a de acreditar. Porque me vens resgatar se de novo me atiras para o abismo infindável do teu ignorar?
Entristece-me solenemente a minha rua deserta... A solidão desmesurada e o desconforto que sinto, pela falta da cusquisse das vizinhas à janela, de estar a enfiar a chave na porta e de não ter ninguém a informar-me quem está em casa... Porque isso não me fazia diferença, divertia-me ver-lhes os contornos a sobejar da janela, vestidas de preto, a espantarem a velhice e a solidão a imiscuírem-se na vida alheia... Padeço de saudosismo crónico! Ontem quase que as lágrimas se soltaram olhos fora, a render-me à tristeza de ver a banda de música, no passo ritmado, a lembrar que era dia de festa, a passar na rua, deserta, a ecoar no vazio das casas abandonadas, sem frenesim de gente a subir e a descer, sem os gritinhos estridentes dos miúdos em alvoroço...
"Tempo: série ininterrupta e eterna de instantes; medida arbitrária da duração das coisas..."
O tempo tenho dado, sem ser contado ou interrompido, o tempo eu tenho vivido, e se me entendia por vezes o cansaço, sempre posso concluir, confiante, de que devo porém, agradecer, o tempo que se me está cravado, porque se me moem os músculos, se me ardem os olhos há demasiado abertos, se me falham os passos, e o corpo se rende estendido, é porque intensamente tenho vivido. Aproveitando os dias de sol, sobrevivendo às tempestades, a aprender com a vicissitudes, a amar muito, a ambicionar mais, a lutar sempre, a estender as mãos, a dar importância a quem a merece, a sofrer quando se padece, a sorrir sempre que possível. A meta a curto prazo pode parecer pouco abrangente, não obstante, árdua e difícil de prosseguir, que é conseguir especializar os momentos, torná-los únicos, como se de primeiros se tratassem...

A quem possa interessar...

As mais das vezes considero que este meu espaço tem poucos leitores, o que poderia até afectar o ânimo e o alento para continuar a dedicar tanto tempo a expor o meu mundo, a dedilhar tantas palavras.
No entanto, há dias como hoje, em que me apercebo que o meu mundo, que eu por vezes considero detentor de pouca doçura, tem afinal muitos seguidores. Seguidores a quem desperto a curiosidade com os meus enigmas... Isso lisonjeia-me.
Hoje... Não obstante, ter ocorrido uma situação que outrora consideraria embaraçosa, hoje, só hoje, porque o dia foi difícil por si, fez-me rir! Isto até se tornou engraçado. Estupidamente engraçado.
Devo satisfações, nesta minha vida, sobre o mundo, a muito pouca gente, gente aliás, que me merece respeito e, a quem dedico explicações sobre o que quer que seja. Porém, a minha liberdade termina no preciso limite em que afecta a liberdade alheia. Assim, decidi explicar-me.
Desde há uns tempos para cá, que escrevo ao A.... E isso já suscitou os mais variados comentários, que me divertem, surpreendem e intrigam, até. Curioso. Uma história tão inofensiva, que atingiu contornos tão tenebrosos... À partida, dado a minha enorme imaginação e a necessidade intrínseca, que sempre senti, de viver vidas para além da minha, porque não caibo toda em mim, nunca fez mal a ninguém. Mas, agora parece-me que sim. Que feriu susceptibilidades, ao ponto de extravasar as minhas linhas e fugir ao controlo dos meus dedos.
Vamos lá a ver se nos entendemos... Meus queridos, o meu "A...", que é só meu e não partilho com ninguém, pelo menos com conhecimento de causa, não tem por nome próprio, como será óbvio (pelo menos era o que eu pensava), nenhum nome que comece, efectivamente, por "A...". Se eu quisesse que fosse facilmente identificável, que fosse conhecido, que qualquer um dos que me lesse e associa ao blog a face por detrás da foto negra, dos que me conhecem, eu escrevia o nome (isto também me parecia muito fácil de entender, pelo visto não é...). Desta forma, o meu A..., que pára muito pouco por estas bandas, e que me recuso a partilhar com o mundo social real, podendo ser, apenas e só, uma personagem ficcionada, comenta-me os textos, lê-me e em parceria, embrenha-se-me por de entre os meus textos, sabe-se destinatário de todas e quaisquer letras que lhe sejam dirigidas, e não tem entrave algum que o sustenha, que o impeça de estar e pertencer no meu mundo, real ou virtual. Não obstante, as asas que o não me prendem são demasiado grandes, levam-no para demasiado longe, por tempo demais. Por isso, sei que estamos condenados ao fracasso desde o primeiro momento, por todas as razões e mais algumas, porque tenho raízes demasiado encravadas na terra que me deu o ser, ainda que isso me custe visceralmente, e me afecte a ligeireza dos dias.
Nos entretantos, sozinha que ando, vagueando nos dias e nas noites, rodeada dos amigos mais próximos, mais estranhos, menos convencionais até, associado à necessidade que o comum dos mortais tem de se imiscuir em assuntos que não os seus, seja por viverem vidas demasiado interessantes, seja por serem naturalmente curiosos, vão-me inventando namorados, a torto e a direito, indiscriminadamente, a atirar para todos os lados, como se por imposições de recato convencional, tivesse de me condenar a uma reclusão que a minha personalidade obsessivamente social, me não permite. Nada de anormal. A isso eu já me habituei, e já aprendi a ignorar. "Vozes de burro não chegam aos céus", e com boatos, de uma forma ou de outra, toda a gente tem de aprender a conviver. Ninguém vive numa redoma de vidro. Se me falam da vida é porque ela deve ter algum interesse, ainda que assim não o seja realmente, pior seria passar despercebida no meio da multidão, ninguém me conhecer os traços, ser ignorada pelos demais. Pelo visto, não é assim. Como tudo, tem o lado positivo e o lado negativo.
Nada de extraordinário. Agora, essa capacidade extravasou os limites do bom senso, e imputam-me relacionamentos promíscuos, tentado a custo, fazer-me assumir papéis terciários, em vidas secundárias, usando ao sabor das conveniências os textos que são meus, e partilho até agora, a gosto, com toda a gente que os queira ler, por não ter nada a temer, e não haver vergonha que me trave os voos linguísticos. Era só o que me faltava... Mas, não se enganem, eu escolho o que quero contar, os pormenores que quero revelar, crio e fantasio o que me aprouver, o que a escrita me permitir, e o tempo puder facultar. Não me intimidem o instinto. Deixem-me lá estar sossegadita no meu mundo, leiam o que quiserem, daí a navegarem por mares que desconhecem... É um risco, é certo.
Pela primeira vez, não obstante todas as vicissitudes, pensei em encerrar o blog, fechar-vos a janela. Isso seria dar importância, contudo, a situações que o não merecem, nem eu tenho paciência para deixar que outras pessoas me dominem os passos e as decisões, quando as personagens em causa não me habitam o espaço. Esse pensamento porém, esvaiu-se nesta minha necessidade de morar aqui. Gosto tanto deste espaço que o não consigo matar assim, por ter sido envenenado, vil e cruelmente. (Assim de repente, solta-se-me a gargalhada pelas associações que são criadas, como teias, à volta das minhas palavras... Hilário! É demasiado fácil acreditar-se em algo quando assim se pretende.) Criava outro que ninguém conhecesse, talvez... E perdia os meus desconhecidos visitantes, no mundo da blogosfera, que entretanto, rapidamente me esqueceriam, e hoje já perdi um amigo (de quatro patas), não me apetece perder mais nada.
Quanto a ti... Ao A... que não é A..., mas que passou a ser, e isso, lamento, não vai mudar, ainda que tão longe, tenho-te preso sob as minhas tão pequenas asas, perto e apertadinho nos meus pensamentos. Continuo na crueldade da incerteza no abismo a que me vetas, de sentir-te aqui e lá, de não poder fugir contigo para a ilha, de te ver partir, intermitentemente da minha vida, a magoares-me nos silêncios e nas ausências a que me condenas, pela tua frieza de pensamento, e domínio de racionalidade.
Rir-te-às da situação, reacção a que já me habituaste, ao seres confrontado com as minhas historinhas, deste cantinho à beira rio plantado, a trucidar com desdém as estórias pequeninas que, afinal, acabam sempre por me afectar. Será só mais um argumento, ao qual me recuso a ceder, de te seguir os passos, de me deixar carregar nas tuas asas, como se eu fizesse parte desse mundo, que sinto, nunca será o meu, como nunca foi.
A custo, torna-se imperativo redimir-me à tua razão... Ainda que tu também não caibas aqui, e eu não tenha como te fixar à terra que só queres ver do alto dos teus comandos, "I wish you were here"... Hoje, creio que mais que nunca, para me sentir protegida, ainda que nos meandros inatingíveis da tua altivez. Um dia, vou conseguir abrir as mãos de ti, não ficar à espera que regresses, sem esperança alguma que te atraia a ideia utópica de criar raízes.
"Every passing minute is another chance to turn all arround..."



"I wich you were here..."

"A tradição já não é o que era..."

Irrita-me a falta de criatividade de quem está mal habituado, a falta de iniciativa, e a loucura direccionada para outras coisas menos importantes... As mais das vezes, bastaria que um pouco de humor e imaginação, aliados a uma vontade feroz da companhia do outrem, que não deve ter grande dimensão neste caso, fizesse toda a diferença, por se tomarem impulsos irracionais, em aventuras desmedidas...
O príncipe, encantado ou não, agora é muito mais comodista, já não enfrenta dragões, nem se levanta da cadeira do trono por "dá cá aquela palha"... Nada disso. A princesa que se desenrasque... Que mate os dragões, que saia do castelo, se quiser que venha a pé, que peça boleia, que arranje um lacaio qualquer que a leve ao destino! Se ainda fosse para ir a algum lado com os amigos, ainda se levantava do real cadeirão, ludibriava os guardas reais para ninguém dar pela sua ausência, saltava da janela até se fosse preciso. Agora... Ir salvar a princesa é coisa que pode esperar. Se a pobre está ou não angustiada e um pequeno gesto faria toda a diferença, é coisa que pode muito bem esperar... Também se a princesa gostar muito muito do príncipe, que remédio tem ela senão esperar que ele tenha tempo e paciência para lhe ir roubar um beijo! Beijos há muitos, e a soldo... Se não aguentar os tormentos da espera, temos pena... Desde que não aborreça!

Auchtttt

Estou a ficar velhinha... E reumática... Com doenças do antigamente! Ontem fui parar ao hospital e uma vez chegada lá, gritei ao Sôr Doutor: "Ai Zasus que ma dói a ciática!!!" Credo... E como dói!!! (Ora aqui está uma bela de uma excelente oportunidade para cravar miminhos a quem de direito... :)) E "prantus"... Levei uma injecção no rabiosque que me proporcionou uma noite de sono digna de causar inveja a qualquer mortal! Sim senhor... "Cá bunitoooo!!!" Cheira-me que esta melga não me vai largar nos próximos dias! Mas, não me vence... Pode até torcer-me, mas não me vence! Voltaren filho, volta que estás perdoado!

"O prometido é devido..."

prometer (ê) - Conjugar
v. tr. e intr.
1. Comprometer-se a.
2. Afirmar previamente.
3. Predizer.
4. Dar probabilidades ou esperanças.
5. Dar indício.
6. Fazer promessas.


Sussurro:

Num qualquer dia destes, escolhido ao acaso, fujo do trabalho, sem te avisar, salto-te o portão, suborno-te com mimos o cão, entro por um janela, subo as escadas de mansinho, deslizo pelo corredor pé ante pé e esgueiro-me para dentro do teu ninho, sorrateira como uma serpente, escondo-me por debaixo dos teus lençóis, encosto-me a ti, deixando que os nossos corpos se colem, fecho os olhinhos, e deixo-me adormecer ao teu lado, como se esse lugar fosse meu, e eu pudesse reivindicar um sítio no teu mundo...

Pagar para ver...

"Meu Deus como pode ser tão bom esse mal que tu me fazes
que me obriga a ir a jogo sem figuras nem ases
sabendo que não vou ganhar como nunca ganhei
sabendo que não consigo parar como nunca parei
como podem magras mãos ficar tão grandes assim
que as gentes esgravatar cabem dentro de mim
só pode ser verdade o que me conta a poesia
eu gosto de gostar e sinto a tua falta todo o dia
que posso eu fazer se me fazes tão bem/mal
desafiando as leis da gravidade, a minha moral
o prazer da tua carne tornou-se essencial
para a minha sanidade, física e mental
fatal fatalmente o coração sente
e a minha boca mente em ritmo desplicente
escrevo para ti em papel de carta
tinta preta como a cor dos teus cabelos
envoltos em tons de violeta
palavras que nunca direi à tua frente
aprendi a ser humano haveria eu de ser diferente?
eu só amo e não reclamo um prémio sem cautela
fechado numa cela sem chave nem janela"

"O crime do Padre Amaro" by Sam the Kid

Coisas que me irritam profundamente:

Efectuarem com êxito uma chamada telefónica cuja destinatária é a minha pessoa, e a pessoinha cuja existência, desde já, me incomoda profundamente, não falar... Isto a juntar à carrada de sono que se me instalou nas pálpebras e ao muito que ainda tenho para fazer hoje, está, a modos que, a tirar-me do sério! Por isso, peço encarecidamente à personagem que anda desde ontem a ligar-me sem falar que, das duas uma, ou pare de ligar ou FALE!!! Que não há paciência para estes jogos pueris no início da semana... Nem no fim...

"És como um pássaro, nunca ninguém te vai conseguir agarrar!"

Estava por aqui, no meio da minha gente, entretida nos meandros dos barulhos das vozes, no meio dos meus, aconchegadinha depois de um dia de trabalho dedicado e longo, contentinha da vida, a pensar na falta de linearidade das coisas. Digo, das coisas em geral... Acredito que a esta altura do campeonato, que é como quem diz duas dezenas de textos, já me conheçam os temas de cor e salteado, e já saibam que aqui, acabo sempre a falar de sentimentos, de sensações, de sentidos, e a dada altura vos fadigue a temática em si, e a páginas tantas acabem por me julgar uma sensaborona lamechas, além de melodramática, sentimentalóide que dói. E sou... Assim, por estes lados, na continuidade dos meus dedos, na ligação entre os dedos e o teclado do computador, aqui sou mesmo... Porque aquilo que não entendo me fascina. Sempre fui assim.... Aquilo que conheço e que domino perde-me a atenção, o que me prende é o que me ocupa o pensamento, o que me invade, dia e noite, porque não entendo. E eu não entendo verdadeiramente o porquê das reacções químicas despoletadas nos confins do cérebro que nos mexem com todo o sistema nervoso, a essência dos sonhos, das sensações que não estão a ser realmente sentidas, mas apenas imaginadas, não entendo... No fundo é isso... Este é o cerne de toda a problemática que me agarra ao teclado, à caneta, ao meu bloco de notas British, que me transporta para um mundo diferente, um mundo onde ninguém consegue penetrar, que barulho algum consegue interromper, que me faz perder nas horas e deixar tudo de lado, ainda que tenha coisas marcadas, ainda que o programa seja interessante, ainda que a minha gente me esteja a puxar para o meio das conversas, que os sorrisos me penetrem ouvidos a dentro como que a resgatarem-me de lá do fundo, Verificação ortográficaonde só moro eu, eu e a minha imaginação, que me faz escrever durante horas a fio, a desvirginar folhas brancas a tinta preta, a borrá-las todas, como se tivesse nascido para escrever, para me perder em mundos fantasiados, em histórias e diálogos que não os meus, em línguas que não a minha....
Estou feliz e em liberdade, como o pássaro que sempre fui...
Hoje apetecia-me café do barato, daquele que tem de se esperar até que a borra assente toda no fundo, e que espalha pela casa toda o seu odor, que é o cheiro que eu mais gosto de sentir quando subo as minhas escadas. Café do barato, do pacote amarelo e vermelho, café do bom, com pão de milho do Luciano, mergulhado lá dentro, numa tigela enorme, das antigas, lascada pelos sinais do tempo... Mas, o Sr. Luciano já não consegue arranjar a mesma farinha, porque agora já é tudo por fabrico moderno e a farinha já dá ao pão o mesmo sabor, e não obstante continuar a fazer pão de milho, por insistência das hostes, já não é a mesma coisa, e eu já não o arranco aos pedacinhos para afogar no café. Como fazia quando era miúda, sentada à mesa velha da cozinha, ao lado do meu avô, os dois em silêncio na cozinha, a comer o pão afogado no café, quando ele ainda estava aqui e ainda chamava por mim, impreterivelmente, às quatro e meia da tarde, e ainda me contava a história do leão e do cavalo.
O Luciano já não faz o mesmo pão, e o meu avô não está aqui, mas tenho-lhes o sabor e a voz marcada em mim, como se tivesse sido ontem.
Lembrei-me...

:D

O sol nasceu... Estou numa nova etapa, uma nova experiência, uma nova aventura. Espero que corra bem, vou fazer por isso... Mesmo. Sem grandes expectativas, mas com optimismo! Estou feliz...

No coments:

Muito depois das primeiras gotas...

Não pára de cair, fria, pesada, incómoda, destruidora. Mas, é claro, é só uma perspectiva... Há sempre associada aquela imagem romântica dos filmes, da chuva a cair abruptamente sobre o rosto, dos cabelos molhados, escorridos, do beijo retardado, da insignificância do desconforto comparado à magnitude dos sentidos elevados. Os rios engrossam, arrastam tudo com eles, as plantas curvam-se no seu pesar, lavam-se as ruas ao seu passar. De pouco servem os guarda-chuva, a quem tem de andar na rua, acaba sempre por se molhar, é retardar o inevitável... É esperar que ela passe... Enquanto isso, deixemos o corpo habituar-se ao seu bater, frio e certeiro, eficaz. Um dia o sol há-de voltar...
O A... já não mora no meu mundo... Vestiu o casaco, perguntou se o fato estava a preceito, disse que não havia com o que me preocupar, que regressava ao fim do dia, entrou dentro do carro, colocou os óculos de sol no rosto, sorriu e partiu... Eu estava prostrada na esplanada, a vê-lo abandonar-me e sorri também, certa de que seria o fim. Convicta pela sensação que me dava o pressentimento, daqueles infalíveis, que por vezes se me assolam o espírito com um dejá vu... Por vezes, revoltei-me... As lágrimas brotaram-me até... Ainda que na constatação da inevitabilidade do fim, do fim do quase nada, a que não sobreviveu a minha crença em magia alguma. Desfez-se o encantamento do confiar no outrém. Há dias revelou-me quase que em sussurro que eu estava enganada... Por momentos... Breves e inquietantes momentos, quase que desejei estar enganada... Desejei não ter sido trucidada no caminho, como fui, desejei estar errada acerca de todas as suspeitas, de todas as descobertas, das constatações do distanciamento a que os nossos valores nos levam, diferenças colossais de formas de vida... Desejei não ter sido apenas e só mais um capricho, mais um peão no tabuleiro de jogo, como fui. Estive quase a pedir, em silêncio, com o olhar, que me enganasse, que me mentisse, que me iludisse, que me carregasse nos braços, que me cobrisse com as suas asas. Quase... Que a realidade é sempre muito mais fria. E foi só um momento.
Não estou enganada, não obstante os teus espasmos de orgulho e de necessidade de sentir o mundo prostrado aos teus pés, me queiram levar a acreditar no oposto, só para subires no pedestal e te poderes regozijar com mais uma vitória, com mais um peão abatido... Tu já partiste há muito tempo, às vezes acho até que nunca cá tinhas estado, que foi só um devaneio... Só sei que não te despediste, acho que para me manteres presa na espera, creio que, na senda da promessa de que, voltarias sempre para mim... Ainda que isso implicasse subir ao mais alto dos céus ou descer ao inferno...Uma não verdade a mais, na composição do enredo que criaste.

Culpada me confesso!!!

Ontem fui dançar... Dançar até doer os abdominais e os glúteos, como se não houvesse hoje. Até aqui tudo normal...

Até este menino me ter passado à frente e eu estar a cinco segundos de ter um ataque de histeria infanto-juvenil! Foi mesmo o que me apeteceu! Era eu esquecer-me que já sou uma "senhora", e olha... Tinha perdido a cabeça e tinha ido agarrar-me ao moço como se não houvesse hoje! Mas... Como havia hoje, e eu sabia da existência de tal possibilidade, controlei os instintos animalescos da adolescente que, ainda, mora aqui, e resignei-me à minha cruel insignificância!

Vocês podem até não perceber... Mas, este homem é uma obra de arte!

Isaac Alfaiate
"... não posso deixar de sentir-te na memória das mãos... vou ficar a despir-te e talvez ouça rir nas paredes no chão... não posso mentir que as lágrimas, são saudades do beijo... vou ficar mais despido que um corpo vencido..."

"Beijo" Pedro Abrunhosa

Magoei... Auchtttt

Deprimi... Alguém chega aí uma faca para eu ir ali ao lado esvair-me please!?!? Uma pessoa faz um intervalito, para ouvir/ver uns vídeos e esbarra com as Pussycat Dolls a dançar o "Buttons"!!! Não pode! As mães de Bragança deviam ter uma palavra a dizer nesta matéria! Credo... Não há auto-estima que resista. E eu que hoje até estava com o ego elevadito, vá... Aiiiiii! Qual é o homem que não desejava que a namorada fosse assim, Hot like them?! Até podia ser burrinha que nem um espeto. Os olhos também comem! Depois disto, a nós, mulheres inteligentes e completas (celulite, estrias, rugas e cabelos brancos incluídos), só nos resta dizer "I don't need a man", bastamo-nos sozinhas, que isto não é vida, ser comparada com material explosivo daqueles! Concorrência desleal, que devia estar sujeita a censura! Onde é que pára a Autoridade competente nesta matéria?!?
"...Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..."

O perdão em si mesmo, não deixa de ser um conceito, um apaziguador empírico, as mais das vezes, apenas e só um gesto egoísta de mostras de magnitude. Não temos a veleidade de perdoar... Os acontecimentos sucedem-se, não obstante o desejo de corrigir, de voltar atrás, todos nós erramos, fazemos más escolhas, magoamos. É inevitável, genético e natural. Somos culpados pela vida que temos, porque a dada altura, independentemente das condicionantes, escolhemos. Por vezes pagamos preços demasiado altos... É verdade. Ainda assim, pouco mais há a fazer do que prosseguir com a inevitabilidade do correr do tempo, medido ou não por ponteiros ou calendários, ele não pára. E os dias vão passando.
Nem todos os erros determinam quem somos, o que fomos e o que podemos ser. Pode ser-se um errante compulsivo, e pode melhorar-se, aperfeiçoar-se, minimizar na busca da satisfação própria os efeitos colaterais nos que nos rodeiam. Isso não significa porém que temos de querer mal a quem não nos faz bem, podemos ser indiferentes, até desejar-lhes o melhor, basta que isso não implique a continuidade da convivência. Acho que isso é um sentido do perdão. Assim sendo, acho que perdoei toda a gente, não quero, verdadeira e conscientemente, mal a ninguém, só não tenho é que conviver com toda a gente. Mas isso, é diferente... São as minhas escolhas.
Na verdade, não buscamos o perdão das pessoas que magoamos, procuramos é que as reacções das pessoas se mantenham iguais, aquilo que sentem por nós, o tempo e os pensamentos que nos dedicam, voltem a ser como eram, antes de as magoarmos, antes de lhes falharmos... E isso, não é possível. Quando ferimos alguém, ainda que inconscientemente, não conseguimos aniquilar os efeitos dos actos, podemos remendá-los, compensá-los, melhorar a posteriori e até dissipar da memória aquele instante, mas não há rewind na vida, não se volta atrás. E esse, por mais que nos custe a todos, é talvez um dos seus grandes encantos, saber que cada instante pode ser o último da vida que conhecemos, e saber que não podemos refazer nada, que cada momento é único.
Não conheces de mim traço algum de personalidade. No choque de uma simples provocação implicas tão somente o pior dos cenários a uma realidade que não conheces! Como se fosse vil, insensata e a futilidade se me tivesse apoderado dos gestos e tudo o resto me fosse terra batida sobre a qual eu pisasse. Como se eu te copiasse a leviandade das atitudes e tudo fosse carne a trucidar. A tua inteligência traíu-te e esta foi, a pior das agressões. Podes parabenizar-te agora, porque assim conseguiste a última gota do sangue que ainda me corria. Afinal, és tu quem não acerta uma, ainda que me tenhas acertado em cheio, impunemente, no brio.
Gosto quando estou assim... Imune e insensível, resistente e irascível, a sentir o coração a bater-me nas mãos, e apertá-lo com força, quase a imobilizá-lo, como se nada me afectasse cá por dentro, como se nada me corroesse... Gosto quando deixa de doer, quando a carapaça não deixa trespassar o tiro, e fico indolor. Gosto quando as lágrimas secaram e já não caem involuntariamente, ainda que isso signifique que as mazelas da guerra tornaram tudo superficial. Agrada-me esta aparente falta de sentir, porque me consigo iludir e consigo até crer que sou prática e tudo o resto são metáforas e páginas soltas das minhas histórias fantasiadas. Hoje não preciso de colo, não preciso de afagos, nem quero o calor de carinhos, nem palavras, nem gestos de ternuras. Quero estar como estou, a bastar-me nos meandros da minha solidão! Já não me lembrava de me sentir bem com ela, sozinha na minha companhia, com todos os meus defeitos e virtudes, sem desejar outra sina que não conheço e que nunca vivi. Cravada de facas, não sinto, hoje, as feridas. Não sei se sararam, nem quero saber! Não olho sequer para trás para me aperceber dos autores dos crimes... Cada um que carregue a sua cruz. Não me apetece estar em outro lado, hoje, nem sequer quero ir para a ilha, não me falta nenhum sabor. Estou aqui, comigo, e hoje, é suficiente, não cabe em mim mais ninguém! Era aqui que eu queria chegar, é este o culminar da caminhada que vislumbrei, se amanhã me fartar, venho aqui ler-me, para saborear o que já conquistei. Ainda que se me apelidem de seca, frígida e egocêntrica, ainda que se me apareçam com todo o tipo de ofensas, ainda que me falte o respeito merecido, o relambório de crueldades imunizou-me, habituei-me à falta de chão, caminho agora elevada, sem reacção nem revolta. A mediocridade dos gestos, a pequenez das aparições conduzem, as mais das vezes, a resultados inesperados,não me dou a trabalho algum, não há derrotas a assumir, nem cruzadas a empreender. Quero letras e conteúdos, leituras e embrenhamento. Carreguei as baterias e não há tempo para cansaços, nem abraços.
Página arrancada do livro escrito, poeirento e esquecido. O tempo tudo cura. Nada se desperdiça, o corpo recicla e regenera, transforma as perdas em ganhos, e aos embaraços chama-se experiência adquirida. Hoje respiro a liberdade, e se não vejo o mar, sempre lhe posso sentir o cheiro, à mera distância de um cerrar de olhos.

"Não fui eu"

"...
Há como um fugidio rumor
De passos que, no corredor
Induzem na minha alma
A dor da esperança vã
Sinais do tempo a humedecer
A voz que teima em enrouquecer
E o corpo dorido
Pela noite no divã
...
Em cada noite morro, amor
Que a solidão faz-se maior
Mal amanhece
E volta o medo que anoiteça
..."

Jorge Fernando (Na voz de Ana Moura)